terça-feira, 27 de outubro de 2009

Entrevista com Rosita Edler Carvalho, autora do livro Escola inclusiva: a reorganização do trabalho pedagógico, Editora Mediação, 2008

Rosita é autora dos livros "Educação inclusiva: com os pingos nos is", "Escola inclusiva: a reorganização do trabalho pedagógico", "Removendo barreiras para a aprendizagem: educação inclusiva" e "Uma promessa de futuro: aprendizagem para todos e por toda a vida".

Qual os principais pontos abordados pelo livro “Escola inclusiva”?

Para responder à indagação recorri ao próprio livro, reexaminei o sumário e revivi toda a construção do texto, somando as emoções de expressar idéias e experiências com a alegria da produção teórica. E identifiquei alguns pontos que se destacaram, tais como as reflexões do primeiro capítulo que trata das diferenças, para além da diversidade.

Creio que a apresentação da CIF (classificação internacional da funcionalidade) é outro aspecto que o livro traz, contrapondo o modelo social de compreensão da deficiência ao modelo médico de categorização de patologias com os estigmas decorrentes.

Mas, o que considero extremamente importante são as constantes alusões à pesquisa, uma prática que não faz parte, ainda, da cultura das escolas, e que, espera-se, passem a constituir-se em estratégia indispensável para que o trabalho pedagógico de orientação inclusiva possa ser reorganizado, sem romantismos, alicerçado na ‘leitura’ da realidade em seu constante vir-a-ser.

De que forma a educação atual pode se tornar mais inclusiva?

Sem pretender fazer um jogo de palavras, mas valendo-me delas, penso que a forma de tornar a educação atual mais inclusiva é incluir todos e todas nas reflexões sobre o quê falamos quando nos referimos à inclusão. Dizendo de outro modo, creio que estamos todos e todas: educadores, pais, irmãos, comunidade, convidados a pensar no que se pretende nas escolas de orientação inclusiva, isto é uma escola para todos, uma escola que concretize uma promessa de futuro, sem delongas. Entendo que essas reflexões que envolvem a cultura, a política e as práticas pedagógicas devem (ou deveriam) anteceder aos movimentos com os aprendizes.

Qual é, na sua opinião, a maior dificuldade encontrada hoje para que as escolas adotem uma postura inclusiva com relação à educação?

A maior dificuldade é romper com o estatuído, com o que, historicamente, vem sendo praticado. Inclusão é processo e a escola é um espelho da sociedade na qual se insere. E a nossa, infelizmente, ainda está marcada pela desigualdade e por discriminações de toda a ordem. A maior dificuldade está no somatório de dificuldades, extremamente interrelacionadas, de tal modo que os desafios se agigantam em complexidade.

Nem todas as dificuldades se originam e podem ser resolvidas na e pela escola. Seria, no mínimo, ingênuo supor que assim fosse. Mas as barreiras para a aprendizagem e para a participação para as quais a escola pode contribuir, removendo-as, procuro assinalar no livro, sem a pretensão de esgotar todas as estratégias que podem levar as escolas a assumirem orientação inclusiva.

Qual o papel e a importância da pesquisa neste aspecto?

Numa pergunta anterior eu já havia feito alusão à importância da pesquisa como uma interlocução constante com a realidade que está sempre em movimento.

No caso da educação inclusiva, vejo a pesquisa como indispensável, para que coloquemos os pingos nos “is” na orientação inclusiva que nossas escolas, pretendem assumir, evitando-se a lamentável constatação dos grupos de “inclusos”- como são chamados por alguns professores quando se referem a alunos oriundos de classes e escolas especiais-, presentes nas turmas do ensino regular e que estão à parte. Tratam-se nesses casos de núcleos de reclusão, gerando-se a exclusão na inclusão, talvez uma das mais perversas formas de segregação.

Também precisamos pesquisar a natureza dos liames sociais entre colegas, pois sem integração entre as pessoas a inclusão será simplesmente inserção.

http://www.jussarahoffmann.com.br/site/artigo.asp?id=15&pagina=1

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postar um comentário